Após mobilização, comunidade de Piquiá de Baixo consegue avançar no processo de reassentamento

Depois de mais de trinta horas de mobilização sob sol e chuva fortes, a Comunidade de Piquiá de Baixo liberou o trecho interditado da BR 222 e o acesso dos caminhões de minério e de carvão às siderúrgicas.

O protesto da comunidade, que teve início na quinta-feira, dia 6 de março, teve como alvo pressionar pelo reassentamento do bairro, já acordado entre a comunidade, representantes das siderúrgicas e do Governo do Estado, do Ministério Público Estadual e da Prefeitura de Açailândia. Piquiá de Baixo, segundo o acordo, deve ser deslocado para uma área que não seja tão impactada pela poluição causada pelas atividades relacionadas à mineração e siderurgia como a que se encontra hoje. Mas, desde o acordo, muita mobilização vem tendo que ser feita para que o processo avance.

Piquiá de Baixo está situado em meio a quatro indústrias de ferro-gusa: Viena Siderúrgica S/A, Queiroz Galvão Siderurgia, Gusa Nordeste S/A e Ferro Gusa do Maranhão Ltda. – Fergumar. Com aproximadamente 1.100 residentes, o bairro que é cortado pela Estrada de Ferro Carajás (EFC) ainda sofre os impactos de um entreposto de minério da empresa multinacional Vale S.A.

Tudo isso fez de Piquiá um “buraco de poluição” e violações do direito à saúde, à moradia e à vida. Entretanto, a comunidade demonstrou indignação e revolta e tem buscado os seus direitos. Mais de 90% da população de Piquiá querem um novo local de moradia, longe da poluição. Os moradores conseguiram um terreno para o reassentamento e participaram da elaboração do projeto urbanístico-habitacional do novo bairro.

Somente a mobilização da comunidade nesta quinta-feira fez com que, finalmente, o Sindicato das Siderúrgicas se comprometesse a pagar o valor que falta do terreno do reassentamento, no prazo máximo de 30 dias.  Com o fim das negociações as portarias das empresas foram liberadas.

A realidade de comunidades como a de Piquiá de Baixo, que está tendo de se mudar de on de sempre esteve, e mesmo assim, com grandes dificuldades nesse processo, em nome dos projetos de desenvolvimento advindos do Projeto Grande Carajás, é um dos exemplos daquelas que serão alvo de investigação, análise e discussão durante o Seminário Internacional Carajás 30 Anos, cujo foco são os processos de resistência aos grandes projetos de desenvolvimento na Amazônia Oriental.