Seminário Internacional Carajás 30 Anos lança Nota de Repúdio à prisão do Cacique Elton Suruí

                      

SEMINÁRIO INTERNACIONAL CARAJÁS 30 ANOS: Resistências e mobilizações frente a projetos de desenvolvimento na Amazônia oriental

 

NOTA DE REPÚDIO

 

 O Seminário Internacional Carajás 30 Anos: resistências e mobilizações frente a projetos de desenvolvimento na Amazônia Oriental, realizado em quatro Etapas Preparatórias nas cidades de Belém e Marabá, no Estado do Pará, Santa Inês e Imperatriz, no Maranhão, e que teve sua Etapa Final realizada na capital maranhense em maio de 2014, vem, a público, expressar seu mais veemente repúdio à prisão do Cacique Elton Suruí, do povo Aikewara, os Suruí do Pará.

Expressamos nossa completa discordância com os acontecimentos que levaram a tal evento, destacando o fato de Elton Suruí ter sido chamado a prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal na cidade de Marabá, e de lá não ter mais saído, um subterfúgio que remonta aos tempos do regime de exceção, e o qual não podemos deixar de denunciar e de nos posicionar firmemente contra. A Polícia Federal solicitou a prisão de Elton Suruí à Justiça Federal mesmo sem ela ter concluído o inquérito que instaurara, e sem que tenha sido registrado nenhum fato que comprove que o Cacique Elton Suruí represente algum tipo de ameaça concreta à sociedade. Além disso, nem o Ministério Público Federal nem a Funai foram ouvidos sobre a prisão.

Elton é destacada liderança indígena, que contribuiu enormemente com as discussões deste Seminário, expondo, tanto nas Etapas de Marabá quanto na Final, em São Luís, a necessidade de uma articulação conjunta de resistência entre os povos da Amazônia. Suspeitamos que seja esta (seu firme posicionamento em favor das populações oprimidas pelo capital e pelo Estado Brasileiro) a razão de fundo de sua detenção em Marabá e posterior e injustificada transferência para Belém, desestabilizando não apenas o Povo Suruí, mas os movimentos da região que lutam contra todo o tipo de opressão.

Repudiamos ainda as declarações do assessor de imprensa da Polícia Federal no Pará, para quem “Elton nem é mais índio”, já que “possui carteira de identidade e conta bancária”. Não é o órgão repressor do Estado o mais habilitado para dizer quem é e quem não é índio, nem está ele autorizado a emitir declarações de cunho manifestamente racistas, que devem receber da sociedade o mais enfático repúdio.

Cobramos do Estado Brasileiro, em todas as suas dimensões, a imediata soltura de Elton Suruí, ao tempo em que aproveitamos para denunciar aos organismos nacionais e internacionais de Direitos Humanos mais este ataque inconcebível aos nossos povos originais. Que essa prisão arbitrária, que já perdura há mais de uma semana, chegue imediatamente ao fim.

LIBERDADE A ELTON SURUÍ!

“Todo dia se faz luta na Amazônia”

Ulisses Manaças

 

 São Luís, Amazônia, Brasil, 10 de novembro de 2014